Folha de São Paulo, Janela, 16/dez
Um cenário favorável ao crescimento futuro da construção firmou-se nas últimas semanas. Mesmo que neste último bimestre o setor repita seu comportamento sazonal, fechando mais vagas do que as abrindo por conta do grande volume de obras concluídas, a partir de janeiro a atividade do setor deverá voltar a crescer gradualmente.
Neste ano de 2012, a construção crescerá cerca de 4%, o dobro do percentual inicial que o IBGE deverá divulgar. Isso porque as contas trimestrais dessa instituição utilizam como indicador do desempenho do setor apenas a evolução da produção física dos materiais de construção. Posteriormente, quando o IBGE recalcular o PIB com mais indicadores, esse percentual deverá dobrar.
Em 2013, a construção tem potencial para crescer entre 3,5% e 4%. Empreendimentos imobiliários lançados em 2012 deverão ser edificados. Um número crescente de moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) será construído. Obras de infraestrutura do PAC prosseguirão e outras serão iniciadas.
Obras esportivas e de mobilidade urbana com vistas à Copa de 2014 serão aceleradas. As construções resultantes das novas concessões de aeroportos, portos e rodovias vão se iniciar. De olho nas eleições de 2014, União e Estados deverão investir em obras públicas.
O temor de que os recursos originários da Poupança seriam insuficientes para dar conta do financiamento imobiliário dissipou-se. Mesmo com a remuneração menor de juros, o volume de depósitos aumentou.
A captação líquida acumulada da Caderneta no período de janeiro a outubro de 2012, de R$ 27,1 bilhões, superou largamente a registrada no mesmo período de 2011, de R$ 9,4 bilhões. Na avaliação da Abecip (que reúne as empresas de crédito imobiliário), isto será suficiente para assegurar os recursos necessários ao financiamento até 2015, quando novas fontes como os covered bonds já estarão implementadas.
O setor habitacional também deverá ter mais recursos depois que entrarem em vigor as medidas de estímulo à construção anunciadas pelo governo, como a redução da alíquota do Regime Especial de Tributação (RET) de 6% para 4% nos empreendimentos imobiliários, e a elevação para R$ 100 mil do valor das habitações de interesse social enquadradas nesse regime à alíquota de 1%. Esta última medida possibilitará a contratação de moradias do PMCMV para as quais os governos estaduais e municipais ofereçam subsídios complementares.
Outra medida anunciada, a incidência da contribuição das construtoras sobre o faturamento e não mais sobre a folha de pagamentos, deverá desonerar a construção se o contratante principal puder abater os recolhimentos das subcontratadas para a mesma obra. Assim, a construção terá recursos para investir no aumento da produtividade, contrapondo-se aos aumentos de custos que vêm tolhendo esforços nesse sentido.
